Análise Técnica

Direção de Fotografia para Cinema

26.01.2010 às 15h40 - por Yen

Claquete

Entre os dias 11 e 16 participei em São Paulo fazer do workshop de Direção de Fotografia com o fotógrafo Alziro Barbosa.
Algumas coisas me deixaram muito feliz e entusiasmado.
Primeiro que o Alziro é um excelente fotógrafo, principalmente do ponto de vista técnico. Ele é daqueles fotógrafos que vão para o laboratório ficar olhando para os grãos do negativo através do microscópio. Além disso, excelente mestre.
Tivemos aula sobre todos os 19 fatores de exposição. Sim, 19!

Fui para o curso com o que acreditava ser uma boa bagagem para a fotografia. Mas fiquei surpreso em como a gente apenas acha que sabe. Muita informação que a gente coleciona durante a vida é tudo mentira, sem embasamento…
Em vários momentos do curso, um outro colega também se indignava com algumas informações e alegava: - Sim Alziro, eu acredito em você, mas eu passei tanto tempo acreditando em outra verdade que está difícil de assimilar.
E as explicações eram acompanhadas de fórmulas matemáticas incontestáveis.

Após as aulas teóricas, filmamos em dois tipos de negativo, acompanhamos o telecine e finalmente, o que me deixou mais entusiasmado, ver o resultado das filmagens projetadas na telona do Espaço Unibanco.
É ali que a magia realmente acontece. A sensação para mim é indescritível.

Bom, onde queria chegar. Fiz o curso não para me tornar um fotógrafo, mas sempre senti que é obrigação do diretor entender o suficiente de todas as área que coordena.
É muito fácil viajar e falar: - Eu quero uma luz igual a essa referência.

O curso me ajudou a lembrar que o assunto é muito mais profundo. Desde a necessidade de estudar a evolução do uso da luz nas artes plásticas, bem como pensar no que está dentro e fora do nosso enquadramento.

Espero poder contribuir ainda mais em conjunto com os fotógrafos dos filmes que dirijo para atingir resultados ainda melhores.

Próximo passo: Roteiro. Já estou internado no assunto e em breve informo as novidades.

Tape to Tape - Fertimourão

17.09.2008 às 16h05 - por Yen

Este artigo fala um pouco sobre o processo de tape 2 tape a partir de imagens captadas em vídeo digital HD.

Diretor de Cena: Henrique Faria
Diretor de Fotografia: Valdomiro e Henrique Faria
Agência: Anima Comunicação
Colorista: Luciano Guimarães (Casa Blanca SP)
Equipamento: Sony PMW-EX1 XDCAM EX
Resolução de captação: 1280×720 24p

O processo de Tape to Tape essencialmente é usando para realizar a correção das cores e da luz de um vídeo digital ou analógico.
O tape to tape é realizado na mesma máquina onde se faz a correção de cores e luz em película: o Telecine.

O telecine tem duas funções básicas. A primeira, como o nome sugere é passar as imagens registradas em filme para um suporte digital/analógico. Durante esse processo aproveita-se para fazer a correção das cores.

O que é importante nesse tema é que não importa quem ou em qual equipamento as imagens foram registradas o que importa é que nenhuma imagem é exibida ao público com as mesmas características que elas tinham em seu suporte original.
Isso se deve a dois fatores, primeiro por questões estéticas e culturais.
Segundo porque na maioria das vezes o fotografo não encontra um ambiente com controle suficiente para uma fotometria ideal para todos os assuntos em seu enquadramento. Na prática, sempre tem algum elemento atrapalhando esse processo – uma camiseta que está clara ou escura demais em relação aos outros elementos da cena. Essa dificuldade é muito comum em cenas externas.
Esse problema surge por causa de um fator chamado Latitude.
Todo suporte de captação, seja vídeo ou filme tem uma determinada capacidade de latitude.

Latitude nesse caso é o tamanho de espectro de luminosidade que o suporte consegue registrar, ou seja, qual é a capacidade máxima e mínima de captar a luz.

Você já ouviu aquela estória que onde um homem comum olha para o gelo e só vê branco um Esquimó consegue identificar uma centena de tons de branco? É mais ou menos isso que acontece com os equipamentos de captação de imagem. Uns enxergam mais luz que outros.
Então quanto mais branco e mais preto um equipamento consegue registrar maior é a latitude desse suporte.

A película do filme tem uma latitude relativamente alta principalmente quando comparada a latitude de uma câmera de vídeo.
Em função disso quando levamos um material para fazer a correção de cores quanto maior a latitude desse material maior será nossas possibilidades.

Em uma imagem captada em película, as vezes você tem um objeto que esta escondido nas sombras, quase não se pode ver, mas no processo de telecine o colorista, técnico responsável por esse processo, pode manipular a imagem de tal forma a tirar esse objeto das sombras e clareá-lo. Isso porque a película tem uma latitude alta. Mesmo a gente vendo muito pouco do objeto, existe informação suficiente na película para resgatarmos.

Já na maioria dos equipamentos de vídeo, que sofrem de baixa latitude, você não consegue obter o mesmo resultado, pois nessa mesma região de sombras o equipamento não consegue registrar as informações necessárias para resgatá-lo da escuridão.
O mesmo acontece com as regiões claras da imagem e que na prática geralmente é a região que merece mais atenção.

No vídeo exemplo desse post preste atenção na cena do pai abraçando sua filha recém formada. Perceba que para conseguir registrar bem a imagem dos atores, o céu ficou prejudicado e nem o processo de correção de cores conseguiu salvar. Se o suporte usado para captar essa imagem tivesse uma latitude maior, provavelmente onde vemos somente branco do céu ainda teríamos informação suficiente sobre o céu em si como as nuances das nuvens.
Acontece que essa imagem não foi captada da maneira correta. O certo, para facilitar a explicação, seria fotometrar corretamente o céu, o que deixaria os atores num breu total e em seguida iluminá-los .

Para complicar ainda mais esse cenário, as emissoras de TV transmitem um sinal com uma certa latitude, que é ainda menor do que a que as câmeras de vídeo conseguem transmitir. Durante o processo de tape2tape o sinal de vídeo é colocado dentro da faixa possível de ser transmitida.

O que eu pude observar durante o processo de correção de cores realizado na Casa Blanca é que para este tipo de processo, usando uma câmera digital de baixa latitude, o fotografo precisa tentar comprimir ao máximo a imagem em temos de latitude, ou seja, tornar brancos escuros e os pretos claros., isso significa manter a imagem dentro da latitude possível de ser captada.
Isso é possível de conseguir na maioria das vezes mas requer do fotografo uma habilidade tremenda e uma compreensão do que está acontecendo por parte do Diretor, uma vez que a imagem observada no vídeo assist está longe de ser a imagem ideal para ser consumida.

Outro ítem importante desse assunto é a Profundidade de Cor, mas isso merece outro post no futuro.